DESCENDENT OF THE ARCHANGEL

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DESCENDENT OF THE ARCHANGEL

Mensagem por Vincent Dragunov em Qua Maio 18, 2016 2:41 am

── Descent Of The Archangel I ──
❝Name a pleasure, one, a few
Any form of lust in you will tremble at my touch
I come down from heaven's light
I have all the perfect alibis
There's so much
I will show you everything so vividly
You won't deny me!❞
[Descent Of The Archangel - Kamelot]  
Preso na penumbra de sua (in)consciência, observou por um momento a luz do luar pelos caminhos quedos que o conduziram até a Taberna de Anubis. Como um fantasma a buscar abrigo para sua dor, Vincent caminhava recoberto pela mortalha de um mundo extinto com o desaparecimento de sua esposa Iara, buscando refúgio em um lugar onde teria a certeza de que estaria sozinho. Sentia o peito inconstante, apertado, os olhos buscavam um conforto que não existia, seguindo a mão que direcionava à porta de entrada do estabelecimento. Revoadas de escuridão permeavam seus pensamentos, limitando seu sentir e desfigurando sua sanidade.
O ambiente não era nem de longe aconchegante, frequentada por homens insepultos que observavam as poucas mulheres que ali se aventuravam como bestas famintas, salivando ante a carne libidinosa. Ele, por outro lado, não compartilhava daquele tipo de busca, preferia enterrar suas lembranças de tormento com whisky antes que retornasse para casa para um merecido descanço no findar de seu expediente. Precisava tentar reorganizar os pensamentos e avaliar suas possibilidades para resgatar Iara e no momento, o álcool misturar-se à solidão e preencher o espaço vazio deixado pela saudade. O som dos passos sobre o piso de madeira ecoava, rompendo o silêncio da madrugada e ele caminhava em direção ao balcão.
── Whisky... ── disse sem cerimônia, fazendo-se compreendido pelo proprietário, que calado serviu a bebida. Experientes, seus olhos sabiam reconhecer um cliente bem intencionado, com alguma condição para pagar mais pela bebida, então numa reação instintiva, ele serviu uma dose generosa, porém com um preço acima do valor de mercado normal.
── São 5 sicles de prata cada. ── disse com um olhar ameaçador, na intenção de inibir qualquer tentativa de barganha. Percebendo isso, Vincent apenas pegava o copo e caminhava até uma das mesas mais isoladas do recinto para beber em paz. Não dispunha de tempo, nem paciência para se aborrecer com o taberneiro, pois questões mais urgentes retinham seu pensamento e assim seus gritos se calam em um silêncio mórbido e desagradável.
Assim que se sentou, deu uma golada na dose superfaturada de whisky e pôs-se a observar o ambiente, buscando uma distração para a mente conturbada se reestruturar e raciocinar com maior clareza sobre os próximos passos que deveria tomar, mas o olhar permanece restrito à orquestra de chamas da iluminação ambiente, mais do que às silhuetas humanas decrépitas que desfilavam pelo ambiente mergulhado na escuridão de sua própria alma.
Ingeriu mais um gole da bebida, moderadamente, por não ter a intenção de gastar tanto naquela noite, deixou o copo sobre a mesa e apoiou o cotovelo sobre a mesma e tocou o queixo com a mão direita, preso em seus próprios pensamentos. Aquele antro era comumente frequentado pela escória humana, então Vincent tinha certeza que poderia conseguir alguma pista sobre Iara ou quem quer que a tenha capturado. Não precisaria de muito para extrair informações com os frequentadores, evidentimente alcoolizados, então se preparou para começar, quando notou a presença de um gato preto, cujos áureos olhos encaravam os dele, sentando-se sobre a mesa, com uma coleira que continha um bilhete preso a ela.
Arregalou os olhos surpreso com aquela abordagem e levou as mãos ao felino, retirando o papel da coleira. Havia uma mancha de sangue e um código: 1WyLzPj66Kjnh3HB4q8Frm7zOJL2nQLCgiB_KC4Nz4U, o que mais uma vez o surpreendeu. Vincent e seu irmão sempre gostaram de se divertir criptografando mensagens para escrever coisas que seus pais e professores não poderiam saber. Começaram com códigos simples, até aprimorarem seus conhecimentos para desenvolver sequências mais complexas e a habilidade de descodificá-las com uma velocidade menor de tempo. Receoso sobre a segurança de Iara após se envolver com ela dois anos após se separar de Mary Anne Vlakyk, pois sabendo que William S. Wildeshott fora liberado e se tornou Lorde das Trevas, reconhecia o risco de qualquer represália da parte dele, em função de seu relacionamento com a ex-esposa deste, com quem tinha uma filha. Sempre desconfiado demais, Vincent não confiava em nenhum tipo de mensagem que pudesse ser interceptada, então treinou sua atual esposa desde o início do relacionamento para se comunicarem apenas com mensagens criptografadas, uma prática não muito comum no mundo bruxo e por essa razão ainda um pouco mais segura e confiável.
Acreditava que ela usaria a mesma chave que eles tinham combinado se fosse se comunicar com ele de alguma forma, então deu mais um gole, finalizando aquela dose e retringiu seu foco ao bilhete recebido. Se o sangue for de Iara..., pensava consigo mesmo sentindo o sangue corrente em suas veias ferver com os riscos que aquela mensagem podia representar. Utilizou a chave combinada "631" na intenção de verificar se o código fora mesmo escrito pela índia e sequer percebeu a passagem do tempo, recluso em seu espaço, descodificando a mensagem até finalmente ter revelado um nome: "EMILIUS STRADIVARIUS"! Permaneceu em profundo silêncio, buscando em sua memória qualquer familiaridade com o nome e se lembrou do famoso bruxo camponês, que descobriu a formula secreta do elixir da vida. Rezam as lendas que a Igreja do Povoado de Hanntra foi a sepultura desse bruxo, então mais do que uma mensagem, Iara enviou-lhe uma localização.
Vincent levantou o olhar para procurar o gato que trouxe a mensagem, mas com sua distração, o animal já tinha desaparecido. Não sabia se ela o enviou, ou quem possa tê-la sequestrado. Mais uma vez, podia se tratar de uma armadilha, então o auror permaneceu sentado, levando a mão esquerda ao bolso, nervoso, contornando com os dedos seu relógio de prata. Permaneceu com o olhar perdido, até ouvir o som de passos mais próximos a ele e levantando o olhar, acompanhou a formação da silhueta feminina dotada de um corpo esguio e curvilíneo, dotado de uma sensualidade natural. Não esperava nenhum tipo de companhia, então estranhava muito a aproximação, especialmente por se tratar de uma mulher tão elegante em um ambiente pútrido como aquele. Podia sentir acompanhar aqueles passos, um aroma peculiar, que remetia a perfumes adocicados e envolventes, beirando o amadeirado... Algo como cereja negra... Um perfume marcante, que parecia combinar perfeitamente com a lascívia de suas curvas.
Os olhos pareciam aprisionados em transe mórbido com o receio de se tratar de alguém relacionada ao sequestro de Iara, afinal o que justificaria a presença daquela mulher próxima a ele? Sentiu o álcool ressecar a garganta, engolindo seco, mas seu olhar permanecia fixo, assim como semblante sóbrio e mascarando a mais completa tranquilidade. Não disse uma palavra, esperando que a misteriosa morena se pronunciasse. Demorou um pouco ainda para perceber que ela esava acompanhada de um rapaz mais novo, que também apresentava algo de sinistro em sua aura. Permaneceu sentado, encarando aqueles dois, enquanto sua mente já trabalhava rotas alternativas para o caso de haver uma necessidade de fuga.


❝I am not a man. I began as one, but now I am becoming more than a man, as you will witness.❞


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Vincent Dragunov



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