HECTOR VORTHAM BARBOSSA

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HECTOR VORTHAM BARBOSSA

Mensagem por Vincent Dragunov em Seg Maio 16, 2016 8:30 pm

FICHA 03 - PERSONAGEM HECTOR VORTHAM BARBOSSA

Cap. Barbossa

54. GLIGOTHIEL. CELIAN SEA. DESTROYER

nome completo

Hector Voortham Barbossa

nascimento

06/07/722

reino

GLIGOTHIEL

grupo

CELIAN SEA

cargo

CAPITÃO

habilidade

Controle dos elementos

Você acha que já conhece todas as histórias do mar? Então deixe-me contar uma história de arrepiar os ossos que tenho certeza que você ainda não ouviu porque eu não sou louco de contá-la a ninguém. Por quê?! Ainda me pergunta?! Conhecimento é poder... tenho muitos inimigos e a qualquer momento algum deles pode se levantar contra mim e usar esse conhecimento para me derrotar. Melhor não arriscar, não é mesmo? Se confio em você? Claro... agora você está morto, com quem mais poderia compartilhar esse segredo? Se contar a uma certa feiticeira desgraçada estará na verdade me fazendo um grande favor. Talvez pudesse aproveitar para levar um recado a ela por mim... diga que conto os dias para esmagar seu coração e enfiar goela abaixo naquela filha ingrata que você me deu e... enfim... voltando à história que prometi contar...

Essa história começa em Julho de 722, quando uma prostituta gera uma criança indesejada e a abandona em um mosteiro. Sim... ela me deixou logo num maldito mosteiro! Claro que essa criança sem pai não durou muito ali, eu era um lindo bebê de "olhos azuis como o céu de verão"... então logo um casal de mercadores me adotou. A mulher não engravidava, então viu naquele bebê a chance de ser mãe e provir um herdeiro ao marido frustrado. Assim, o casal Henry e Allyria me batizou como Hector Voortham Barbossa, recebendo os dois nomes do pai, que já tinha uma condição financeira razoável graças aos próprios esforços como mercador, nos quais viajava de cidade em cidade, comercializando todo tipo de mercadoria, de acordo com o que ele acreditava que renderia um bom lucro. Ainda em tenra idade aprendi a ler, forçado pela mãe a frequentar o mosteiro no qual fui adotado, pois ela acreditava que sendo letrado e me tornando monge, eu estaria melhor inserido "nos planos de Deus".

Ah, se ela soubesse o quanto estava enganada... aos 8 anos, eu matei um dos monges pelo atrevimento dele em tocar-me as partes baixas e fui expulso, manchando de sangue o nome da família. Apenas meu avô, conhecido como Velho Barbossa, permaneceu ao meu lado e passou a ensinar-me como me defender. O velho tinha uma ligação inexplicável com o místico e despertou esse interesse em mim, que fui logo iniciado na arte de controle dos elementos. Inicialmente era um verdadeiro porre! Mas aprender a ler e cair de cara naqueles livros complicados do avô despertaram o gosto pela leitura e eu cresci sem direcionar meus estudos para os negócios do pai, contrariando sua vontade. Minha mãe descobriu meu envolvimento com a arte negra do velho Barbossa e assim, aos 14 anos fui deserdado e expulso de casa, pois ela e meu pai eram cristãos fervorosos.

Minha personalidade forte me afastou de toda a família, inclusive do meu próprio avô que nesse momento já não dispunha de uma boa saúde, então não podia me encontrar para me ensinar. Quanto mais eu crescia, mais aprimorava minha habilidade, sempre estudando com o pouco material que tinha acesso entre um roubo e outro que comecei a realizar para sobreviver e para obter os livros que desejava em bibliotecas de mosteiros, em casas de supostos bruxos ou magos. Comecei a viver... conheci muitos pecados em minhas aventuras, passei a matar sem o menor remorso, entreguei-me à luxúria e quanto mais me desenvolvia, mais conhecido ficava meu nome entre ladrões e ocultistas. Fui preso várias vezes, até decidir fugir para alto mar, onde estava livre dos guardas, mas submisso aos piratas, trabalhando como mero tripulante, com a companhia constante de um balde e um esfregão.

Foi nessa condição que passei boa parte dos meus anos, até me tornar um pirata e por fim primeiro oficial do Capitão Brook Fletcher, me destacando entre os demais pela minha lealdade e habilidade tática. Juntos saqueamos muitos navios mercantes, lutamos contra a marinha e piratas rivais, fizemos um bom lucro de nossas pilhagens e nosso Dante's Inferno se tornou um dos maiores e melhores navios piratas daquela época. Investimos pesado na construção de um novo navio, muito maior e melhor, desviando boa parte das pilhagens para consertos e reformas, sacrificando tudo que podíamos para construir um navio genuinamente pirata (o anterior era roubado da marinha).
A construção dos navios exigia madeiras especiais como o olmo (Ulmus sp.) para a quilha, o carvalho (Quercus sp.) e o abeto (Abies e Picea) para as partes curvas e o mastro, então buscamos por madeira de melhor qualidade, saqueamos e negociamos quando necessário e selecionamos ainda as variedades de coloração mais escura. Nossas vidas, suor e sangue compunham cada parte daquele navio, assim como as notas musicais a melodia, porém eu descobri que o nosso capitão estava roubando parte dessas pilhagens para construir sua fortuna pessoal, que ele deixava com uma mulher em terra. Creio que ele pretendia abandonar o comércio para ter uma vida confortável com essa mulher e por isso nos traía.

Sei que isso pode parecer contraditório, mas sou um pirata honesto, nunca roubaria de minha própria frota e não consegui aceitar ver nosso próprio capitão fazendo isso, então organizei um motim. Esperamos um momento em que nos encontrássemos bem longe da terra firme, para confrontar o capitão e condená-lo à prancha. Jogamos restos de peixes mortos e o espancamos para que seu sangue atraísse os tubarões famintos do alto mar. Fomos piedosos, deixando-o no mar sem uma bola de canhão presa aos pés, pela consideração que tivemos pelos tempos de glória daquele capitão e seguimos nosso caminho. Quem iria imaginar que o desgraçado ainda possuía alguma sorte?

Nossa rotina se resumia a saquear e dividir os espólios, matando qualquer um que se colocasse em nosso caminho. Fui nomeado Capitão, após provar as mentiras de Brook e nunca abandonei meu interesse pelo controle dos elementos, principalmente porque ele se mostrava cada vez mais útil para nosso trabalho. Quando finalmente terminaram de construir nosso navio em uma base pirata secreta, localizada em uma ilha esquecida por Deus, nós o batizamos como Destroyer, já que minha habilidade me permitia controlar os ventos e com isso acelerar de uma forma considerável a navegação, o que nos transformou em verdadeiros destruidores navais e... ops! Isso também é segredo! O que todos sabem é que o meu navio é o mais rápido, navegando como se voasse por sobre as ondas do mar, se tornando o pesadelo da marinha militar e mercante de todos os três reinos.

Vivemos anos gloriosos, desfrutando dos maiores prazeres da vida, até descobrirmos que Brook estava vivo. Aquele verme teve a sorte de ser encontrado por um navio mercante antes de virar comida de tubarão e armou para nós. Durante todos aqueles anos... Maldito seja, velho traidor Brook! Estávamos em terra, embriagados, entre as coxas de belas mulheres, gastando parte de nossos espólios para satisfazer nossa carne, quando fomos atacados. Daquela emboscada, boa parte deles ainda conseguiu escapar e zarpar com o navio, os que ficaram para trás enfrentaram as espadas militares e seu sangue lavou o piso de madeira mofada do bordel.

Me tornei um trunfo para a marinha militar de Brumivium, então decidiram me executar em Thaed Port, para servir de exemplo a todos os outros piratas e mostrar a eles o poder daquele reino. Fui humilhado, arrastado pelas ruas da cidade, apedrejado e cuspido por camponeses, até finalmente chegar à minha cela, condenado à pena de morte... ah... aqui sim as coisas começam a ficar interessantes...

Na noite anterior à condenação, recebi minha última refeição e enquanto me alimentava, vi ser atirada na cela vizinha, uma mulher, que mais parecia uma mendiga. Esfarrapada e cadavérica, ela se arrastava no chão até a grade, implorando por comida. Pela primeira vez, estava em condição e disposição de ajudar alguém. Ia morrer de qualquer jeito mesmo, então que diferença teria aquele pão velho e a sopa que mais parecia lavagem de porco? Assim, a esfomeada se alimentou do que ainda restava daquela refeição e se sentou de costas pra ele, escorada na grade e só então seus lábios cárneos sibilaram:
──── No espaço vazio de minha alma, deparei-me com o universo da sua. Tens pulsos acorrentados em lembranças de tormento que o impedem de prosseguir, mas que revoadas de escuridão, alimentam a minha, misturando-se à minha solidão, ao vazio e a meus próprios sentimentos. ──── Com isso me aproximei da grade, para ouvir melhor a voz oscilante da megera, como se mergulhasse em um estado de transe e só então ela se pôs de frente a mim com as mãos frias envolveu meu rosto. ──── Beija-me, satisfaça-me com sua dor, para que de seus lábios flua o espírito e o véu do destino se abra diante de seus olhos.  ──── Eu ouvia cada palavra e naquele momento, nem a grade parecia nos separar, eu a beijei e no momento que meus lábios encontraram os dela, os pensamentos de antes, a paixão expirou, então senti o espírito abandonar o corpo, mas o prazer tomou seu lugar, como no mais intenso gozo e subitamente, vazio de alma, eu abri os olhos, mas somente por um tempo suficiente para ver a face ruborecida de uma linda jovem, a mais bela que já vi. A pele parecia tão macia quanto a pétala de uma rosa, cheguei a tocá-la, segurei seu rosto com força, buscando a verdade naquela imagem e ela foi então revelada. Seus olhos eram frios como o gelo e assim o frio que antes provinha do corpo dela, passou para o meu e meus sentidos foram se perdendo. Foi então que eu senti o abraço da morte.

Dizem por aí, que na manhã seguinte, eu recebi o rito final, mas já parecia um cadáver. Meu corpo se movia, mas nele não existia mais alma, era apenas um recipiente vazio, que silencioso caminhou para seu destino e foi executado na forca. O que ninguém sabia era que eu já estava de fato morto antes mesmo de me executarem... lhe pouparei dos detalhes de minha experiência fúnebre e seguirei para o que interessa.

Tão doce quanto o primeiro beijo que ela me deu, foi o segundo, mas este, preencheu meu cadáver com tudo aquilo que me fora roubado anteriormente. Pude sentir o ar invadir meus pulmões e só então percebi que estava enterrado. Passei 3 dias naquela condição, até ela conseguir me encontrar de novo. Como? Ela nunca me disse... não sei nem o que ela fez para se livrar da prisão. Tudo que me interessava naquele momento era que ela de alguma forma tinha salvado a minha vida e senti-me em débito por isso.

A feiticeira me disse que fez uma espécie de empréstimo com minha alma e minhas lembranças para conseguir poder suficiente para se recuperar e agora quitava seu débito. Porém, me alertou que tanto minha alma como as lembranças mesclaram-se às dela e vice-versa, o que me fez absorver muito mais do que eu era. Passei a possuir uma parte dela e ainda me sentindo em débito pela barganha que me tirou daquele velho caixão, jurei lealdade a ela e me tornei seu servo e amante.

Assim retornei dos mortos e ela se ofereceu para me ajudar a me vingar de Brook, mas antes de mais nada, procurei meu navio e tripulação, ficando conhecido como "O capitão pirata expulso do Inferno", por ter retornado dos mortos. Muitos me viram ser executado, sem nada conseguir fazer para me ajudar, então meus homens leais logo espalharam sobre o meu retorno, tornando ainda mais assustadoras as histórias sobre nosso navio. Voltando à ativa, reassumindo o comando de meu navio, apresentei a feiticeira que seguiria conosco, como minha acompanhante e falei sobre a vingança que eu planejava contra nosso traidor.

Me lembro como se fosse ontem de seu olhar satisfeito quando me viu pendurado na forca, onde permaneci durante dois dias, até o cheiro pútrido da minha carne começar a incomodar os cidadãos, comerciantes e soldados que passavam pelo centro da cidade, só então me enterraram. E me lembro melhor ainda daquele olhar de pânico do velho Brook ao me rever.
Assombrado pela minha presença, ele até tentou correr, gritando para a família fugir. Ele estava em uma casa bem confortável, adquirindo anistia em troca de sua traição, com uma linda esposa, uma filha em idade fértil, um rapaz um pouco mais novo e um bebê.

Um massacre não satisfaria meu desejo de traição e muito menos os  de minha adorada Ravana, então saqueamos tudo que conseguimos carregar e os levamos como prisioneiros. As mulheres serviram de distração para os marujos, mantidas em celas separadas, para ser molestadas na frente do próprio Brook e do menino mais velho, enquanto o bebê serviu de distração para Ravena que estranhamente desenvolveu um laço maternal com ele e passou a perambular pelo castelo sempre cuidando daquela criatura inútil.

Dia após dia aquela família foi torturada. Os homens eram espancados para aliviar a tensão dos marujos que se estressavam com a rotina costumeira, até que propomos ao garoto trair o próprio pai e se unir à nós, trabalhando como tripulante. Ele nem pensou duas vezes, deixando o pai à própria sorte e evitando o porão para não ver a família, servindo a nossos propósitos e aprendendo a ser um bom marujo. Atormentado pela imagem da esposa e da filha sendo atacadas diariamente por toda a tripulação, Brook arrancou os próprios olhos para não ver mais e vivia encolhido no canto da cela com as duas mãos nos ouvidos.

Ravana parecia se alimentar da dor daquela família e se tornava cada vez mais poderosa, porém as intempéries do alto mar não fizeram bem ao bebê, que adoeceu e morreu, sendo jogado ao mar por minha Ravana inconsolada, após inúmeras tentativas de trazê-lo de volta fracassarem. Arrasada por não ter conseguido criar aquele bebê, ela se tornou ainda mais perversa com aquela família torturando-os na maior parte de seu tempo.

Para piorar, nossa prisioneira estava grávida de algum dos nossos marujos, assim como a filha e isso a deixou ainda mais irada, afinal apenas ela não conseguia engravidar, mesmo com nossa intensa atividade sexual. Em um surto de fúria, ela invadiu as celas das duas prisioneiras e rasgou-lhes o ventre executando um ritual profano de fertilidade com o sangue delas. Com o sacrifício, ela finalmente engravidou e foi aí que nossos interesses passaram a divergir.

Assim que a criança nasceu, uma menina de cabelos dourados como os da mãe e os olhos do pai, Ravana ficou apavorada com a ideia dela adoecer e morrer como o outro bebê, então decidiu morar em terra firme até que a garota tivesse idade para acompanhá-los no navio. A ideia não me agradava em nada, mas todos sabem o quanto a mulheres sabem ser bem convincentes quando querem alguma coisa. Comprei uma casa no campo, para que ela vivesse como uma camponesa qualquer, cuidando de uma pequena horta e alguns animais, assumindo uma nova identidade, para não ser perseguida pelos militares que me caçavam.

Ela fingia ser casada com um mercador, que viajava muito e por isso a deixava constantemente sozinha com a filha. Eu me ausentava por meses, mas os marujos começaram a perceber que meu corpo estava em alto mar, mas minha mente permanecia em terra, com a minha família. Garanti que nunca abandonaria a vida que tinha, muito menos para me tornar um camponês e com o passar dos anos eles perceberam que eu realmente cumpriria com a minha palavra e continuava fiel ao código dos piratas. Minha honra era inabalável, nem mesmo minha família valia a quebra dessa honra.

Apesar das poucas visitas, eu sempre tentava levar presentes para ambas, adorava ver minha Daphné crescer. Embora ela se parecesse muito com a mãe, fisicamente, seu temperamento se tornava cada vez mais parecido com o meu, o que de certa forma me enchia de orgulho. Era minha garotinha e independente de qualquer coisa, eu sabia que ela compreendia minha ausência... ou pelo menos eu pensava que sim.

Em uma de minhas visitas, percebi as marcas de cascos de cavalos frescas saindo de nossas terras, mas as duas ainda permaneciam em casa... era algum visitante. Percebi que minha mulher estava grávida. Tomado pela raiva, acertei seu rosto com tanta força que ela caiu no chão. Tentou fugir com a criança, mas eu a segurei pelos cabelos e deixei apenas que nossa filha se escondesse, afinal essa era uma questão que eu resolveria apenas com a mãe dela.

Enfureci-me pelo indício da infidelidade dela, afinal eu mesmo permaneci leal durante todos aqueles anos e por mais que ela negasse, afirmando ser apenas um cobrador de impostos e que se estava grávida de nosso segundo filho, eu estava cego pelo ódio, então ordenei aos homens que levassem minha filha para o navio e eu mesmo arrastei Ravana pra lá. Ela tentava se justificar, apresentar qualquer tipo de evidência de que não tivesse me traído, mas não acreditei e ordenei que ela fosse trancada na cela, longe de qualquer outro prisioneiro. Minha filha permaneceria comigo segura em minha cabine, mas com a mãe dela, eu ainda tinha contas a acertar.

Brook permanecia preso, então tentei deslocar para ele toda minha fúria, para não correr o risco de matar aquela mulher. Mas a feiticeira ardilosa usou o prisioneiro para atacar. Ele parecia um canibal enfurecido tentando me morder, arranhar e bater, o que me deixou ainda mais furioso, afinal ela estava fazendo com ele o mesmo que provavelmente teria feito comigo antes de fugir das circunstâncias nas quais nos conhecemos. Assim, mais uma vez tomado pela raiva, voltei a trancafiar Brook na cela e retirei Ravana da dela e a arrastei até a prancha. No calor da discussão, cravei minha espada em seu ventre, para incapacitá-la de gerar qualquer criança  futuramente. Um castigo bem merecido após gerar uma que não era minha. Ela levou as duas mãos ao ventre sanguinolento e aos prantos, gritou aos ventos.
──── Fui tua companheira leal e inseparável, acostumei-me à lama à tua espera e invés de afagos me apedreja! Sua loucura te amaldiçoa, nesta noite de lua sangrenta!  ──── uma tempestade parecia se formar com a mesma fúria contida em suas palavras, mal percebi que nossa pequena Daphne estava no convés, assistindo aquela cena de horror, enquanto a mãe ainda esbravejava ──── Amaldiçoado pelo meu pranto, nunca mais será capaz de se afastar das águas salgadas do mar, ou tua culpa decrépita há de lacerar-te a carne, provocando uma angústia que roerá seus ossos! Pelos nossos sonhos perdidos, nunca mais sentirá qualquer prazer comparado ao que já sentiu em seus braços! Sequer sentirás o soprar dos ventos, a saciedade de sua fome ou mesmo o gozo da carne! E pelo meu sangue, o mar há de ser tua sepultura! ──── tentei usar minha habilidade de controle dos elementos para controlar o fluxo do navio, pois a tempestade o agitava com tamanha intensidade, que temi a destruição das velas e mastros.

Quando finalmente percebi a presença de Daphne no convés, o desgraçado Brook, que sabe-se lá como escapou de sua cela, a agarrou pela cintura e saltou à estibordo, caindo no mar com a minha garotinha. Eles foram seguidos por Ravana, que saltou ensanguentada e desapareceu engolida pelas águas. A tempestade perdurou por mais algumas horas, mas com o romper da aurora, cessou e a paz voltou a encobrir aquela imensidão azul. Eu sabia dos poderes daquela feiticeira, logo sabia que estava condenado. Ela certamente não estava morta, então ordenei e financiei espiões e buscas para encontrar a ela e à minha filha.

Sem conseguir pisar fora do navio, precisei confiar em meus homens e nas informações que eles conseguiam em terra, não podia mais participar das comemorações dos bordéis, menos ainda das caçadas aos tesouros. Assim passei a me dedicar mais ao ataques em alto mar, onde minha vantagem além de ser maior, se tornaram minha única opção. Fui informado que elas duas viviam em Brumivium e passei a acompanhar apenas de longe o pouco que conseguia saber delas. Pelo menos até descobrir que minha garota destemida fugiu para o alto mar e se tornou também uma pirata.

Segui seus rastros na intenção de torná-la meu braço direito no Destroyer, mas ela parecia nutrir por mim um rancor semelhante ao da mãe, como se as lembranças daquela noite ainda permanecessem vivas em sua memória. Com temperamentos parecidos demais, sempre entrávamos em conflito, então ela nunca aceitou seguir com a minha tripulação, preferindo seguir seu próprio caminho tortuoso e se tornar capitã de outro navio, livre como as ondas do mar. A feiticeira, por sua vez, soube que estava morta, mas se assim o fosse, minha maldição estaria quebrada e eu não permaneceria encarcerado em meu próprio navio.

Por isso sei que ela está viva em algum lugar, acumulando cada vez mais poder, dominando formas de magia desconhecidas até pelos maiores magos de toda Nardorwen. Eu soube até mesmo que ela inspirou muitas lendas, nas quais ficou conhecida como A Rainha dos Horizontes Negros, ou como A Rainha da Morte, A Princesa da Angústia, A Filha do Demônio, ou até mesmo de A Senhora da Desonra, assustando crianças em contos criados para que elas se comportem movidas pelo medo de ser capturadas pela lendária feiticeira que hoje assombra toda Nardorwen e não apenas o velho Capitão Barbossa, que sem glórias e prazeres caminha entre o mundo dos vivos e dos mortos,  privado de sua liberdade pela maldição lançada por aquela que um dia amou mais que sua própria vida.



Willian

27. MP. conta n° 03.

application by nicole (i, ii, iii, iv, v).


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