────⊰☫ Between Two Words

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────⊰☫ Between Two Words

Mensagem por Vincent Dragunov em Sab Out 04, 2014 8:07 pm




Between Two Worlds
London - United Kingdon - London King's Cross Railway Station

"Screaming in frustration, no sound is heard
Am I asleep, or am I starring in a dream
Please wake me up
Sometimes the hunter, sometimes the prey
Feeling like I'm trapped, lost and never found
Feeling like I'm caught in two worlds without a home"
──── Hammerfall - Between Two Worlds

Naquela manhã, Dragunov avistava seu alvo em Londres, na estação localizada no distrito de Kings Cross ,no nordeste do centro da cidade, no borough de Camden, a famosa Estação King's Cross. Ele era o único agente da Sessão 13 SPETSNAZ, enviado para capturar o mafioso italiano Luigi Bertulli, que forneceu armas e equipamentos militares para o último atentado terrorista à base militar naval russa de Tartus na Síria, que culminou com a morte de 3 agentes das forças especiais. Luigi vinha encobrindo seus rastros durante os últimos meses, mas foi descoberto e aproveitando que já estava em Londres para uma missão investigativa paralela em aliança ao MI5 (serviço de inteligência britânico), naquela cidade, ele foi realocado para capturar o "senhor das armas italiano", como ele costumava se intitular. Desse movo, tendo seu alvo localizado por um dos espiões SPETSNAZ, Sergei Dragunov largou tudo o que estava fazendo e seguiu em direção à estação para iniciar sua caçada, dessa vez movido não apenas pelo cumprimento de seu dever, mas também pela sede de vingança pelos compatriotas mortos em combate na Missão Almaznyy.




Assim que chegou à estação, estabeleceu o primeiro contato visual com seu alvo em 4 meses. Ele estava entre as plataformas 9 e 10 da estação, olhando o relógio, apreensivo, nitidamente nervoso, certamente fora informado que sua localidade foi descoberta e aguardava o próximo trem para desaparecer novamente, mas dessa vez, Dragunov já estava a poucos passos do alvo e avançava entre os civis em passos rápidos, porém silenciosos e atacou Luigi com uma manobra de imobilização segurando-o pelo braço esquerdo e torcendo-o para trás, mas o mafioso era rápido em seus movimentos e desferiu uma cotovelada contra o rosto do soldado, que virou a face, mas recebeu o golpe e recuou 3 passos para trás, cuspindo o sangue que acumulava ao lado da boca com o rompimento de alguns vasos sanguíneos. Luigi por sua vez, sacou a arma, criando uma situação de pânico na estação, com pessoas correndo para se salvar, enquanto o italiano ameaçava atirar. Ele portava uma FiveSeven 5.7 x 28mm cuja cadência de tiro é de 2345 nós/segundo, então o soldado calculava mentalmente o movimento de velocidade mais semelhante para tomar a arma, dando dois passos lateralmente, para ficar um pouco mais próximo do braço do sujeito com as mãos para cima, em sinal de rendição e em um movimento brusco avançou contra ele, segurando-lhe o pulso, movendo próprio corpo para a lateral e abaixando a mão do sujeito que torcia para trás, dessa vez de forma mais efetiva, empurrando o homem contra a parede mais próxima, porém naquele momento, invés de se chocar contra a parede com ele para imobilizar o italiano, ambos atravessaram uma espécie de portal e confuso, o soldado acabou abrindo uma brecha e permitindo que Luigi escapasse e retirasse de dentro do terno um pedaço curto de madeira. Sergei riu da situação, posicionando-se para um combate corpo a corpo, mas quando investiu contra o adversário, este pronuncia em alto e bom som, a palavra. ────"Confringo!"

Naquele momento o corpo do soldado entrou em combustão espontânea e enquanto o italiano fugia para dentro do trem, Dragunov lutava contra as chamas, rolando no chão para apagá-las. Por sorte, o terno protegia bastante a extensão de seu corpo e não foi muito difícil apagar o fogo, sentindo apenas uma sensibilidade maior no rosto, como uma queimadura de sol no deserto. Passado o susto, tentava encontrar uma explicação lógica para o acontecido, já se levantando e correndo para dentro do trem, tomando a direção que viu o italiano seguir, sequer notou o nome do trem, as pessoas que passavam por ele, algumas com vestimentas bem estranhas, esbarrava em quem estivesse em seu caminho, correndo pelo extenso corredor, abrindo as portas uma a uma procurando Luigi, notando que em sua maioria o público ali era bem jovem, o que deveria facilitar sua busca. Todos arregalavam os olhos assustados olhando para o soldado russo, que não dizia uma palavra, apenas procurava seu alvo e seguia seu caminho, apressado. Não demorou muito até ouvir a patrulha local perseguindo-o dentro do Trem.
──── Atenção, unidades de suporte, alerta de intruso! Um trouxa atravessou o portal e invadiu o Expresso de Hogwarts!

"UM O QUÊ?!" - pensava o soldado enfurecido com o termo vulgar a ele atribuído e retrucou em pensamento - "Vou mostrar pra vocês quem é o trouxa!" - Dragunov tinha algo bem mais importante pra fazer, então não perderia tempo com as autoridades locais. Correu em fuga saltando de um vagão para outro, induzindo seus perseguidores a seguirem-no em linha reta e em uma das transições de vagões, retirou o terno, prendeu um braço dele em uma barra de ferro lateral à porta de saída e parou do lado de fora agachado, puxando o terno e esticando-o bem na hora que os oficiais passavam, derrubando-os uns sobre os outros e desferindo golpes certeiros na altura do "T-cefálico", uma região da nuca, para deixá-los inconscientes. Em seguida, o soldado saltou para o vagão mais próximo, olhou para o cenário à sua volta e notando que já estavam afastados da estação e à sua volta eram apenas trilhos e um abismo, decidiu tentar se esconder ali dentro mesmo e tentar localizar seu alvo de novo. Confuso com tudo que acabara de acontecer, seguiu para o vagão de carga, onde ficaria mais seguro. Bastou golpear os dois vigilantes, deixando-os desacordados e amarrando-os com suas próprias algemas, cruzando os braços deles para trás, entrelaçados para ficarem bem imobilizados.
Assim que o primeiro começou a despertar, o soldado desferiu um soco no rosto do mesmo e segurando-o pelo colarinho questionou:

──── Pra onde esse trem está indo?! ──── enfurecido balançava o rapaz que assustado não sabia nem como responder. Então o soldado respirou fundo para não pegar tão pesado com ele e mais uma vez perguntou de forma incisiva. ──── Fala logo qual é a próxima parada e eu te deixo em paz.

──── E-esse é o Expresso Hogwarts, senhor...e-ele...segue direto para Hogsmeade, s-senhor... ──── O rapaz assustado respondia ainda receoso da reação do russo, cujo sotaque marcado denunciava facilmente sua naturalidade. ──── Muito bom, garoto...muito bom. ──── Disse o soldado em agradecimento à colaboração do rapaz, apoiando as mãos sobre os ombros dele e disse com um tom de voz mais sereno. ──── Obrigado, garoto. E me desculpe por isso. ──── de súbito avançou contra o rapaz, dando-lhe uma cabeçada efetiva, que apagava o garoto. Evitaria assim que ele pudesse começar a gritar a qualquer momento, garantindo uma viagem mais segura.

Já não estava com a cabeça muito boa naqueles dias, ainda tinha que passar por uma situação daquela? Sentou-se em um canto mais escondido do vagão, tentando entender o que tinha acabado de acontecer. Não acreditava que tinha perdido seu alvo daquela forma, já detinha ele em suas mãos quando de repente, de uma forma completamente sem sentido, o soldado não compreendia aqueles acontecimentos perturbadores. Nada o incomodava mais do que o fracasso em uma missão, então jurava para si mesmo que não voltaria para casa, enquanto não tivesse o mafioso italiano em suas mãos.




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Re: ────⊰☫ Between Two Words

Mensagem por Vincent Dragunov em Sab Out 04, 2014 8:11 pm



────⊰☫ Missão boyevoy kon'(Миссия боевой конь) - Vila de Hogsmeade

Assim que o trem se aproximava da estação, o soldado se levantou e saiu do vagão, sorrateiro e silencioso para evitar que fosse localizado pelos oficiais de novo. Misturou-se com a população local, mantendo o rosto baixo, enquanto caminhava entre as pessoas em passos rápidos até o centro mais movimentado daquela pequena vila. Estranhava o lugar e as pessoas que por ele passavam, mas não podia ficar muito tempo à vista, precisava entrar em qualquer ambiente que fosse pra despistar os oficiais que procuravam por ele. Entrou em uma espécie de bar chamado Cabeça de Javali, um ambiente muito e sujo e com cheiro de algo que lembrava cabras, a clientela não ficava atrás, eram todos bem mal encarados, usavam capas longas com capuz e bebiam em suas canecas sujas, encarando o forasteiro que acabava de entrar. O soldado tentava agir com naturalidade, seguindo até o balcão e pedindo ao taverneiro sua bebida mais forte. Entregava-se ao vício para esfriar a cabeça e pensar melhor em como faria pra encontrar Luigi de novo. Recebeu a caneca sem demora e começou a beber, quando ouviu a porta daquela espelunca se abrir com violência e um gigante de cabelo e barba castanhos estava à porta e gritava para os oficiais.

────  Aqui está! O trouxa que atravessou o portal! ──── O soldado engoliu seco ao ouvir de novo aquele termo a ele dirigido e deixou a caneca sobre o balcão, se levantando e caminhou em direção ao grandalhão. Ele por si já era bem alto, mas estranhamente aquele gigante conseguia ser ainda maior, teria mais de 2 metros, certamente, mas ainda assim não o intimidava, já era acostumado a lidar com esse tipo de oponente. Caminhou até o grandão estralando os dedos das mãos chamando-o para o desafio. ──── Tá legal, vamos resolver isso lá fora, rolha de poço!

Brincou com relação ao diâmetro abdominal do sujeito, que era pelo menos 4 vezes o dele e sorriu em deboche, mas o gigante não deixou barato e antes mesmo que Sergei passasse por ele para sair, desferiu-lhe um soco com a destra que arremessou o soldado para trás, bem alto e ele caía de costas em cima do balcão. "Porra! Esse cara é forte mesmo!" - pensou o soldado ignorando a dor e se recompondo para avançar contra ele, dessa vez sem se importar com o ambiente, pegava uma cadeira e arremessava contra o brutamontes, que arrebentava a mesma com um golpe usando a destra. Assim, o soldado teve a confirmação de que na força bruta jamais derrubaria aquele adversário, então assim que o gigante avançava contra ele, o soldado subia no balcão e corria sobre ele, abrindo violentamente a própria camisa social, arrebentando os botões mesmo e retirando-a para usar contra o gigante, segurou cada extremidade da camisa com uma das mãos e no momento que o gigante desferiu um novo golpe contra ele, o soldado saltou por cima da cabeça dele em um salto mortal, prendendo a camisa no pescoço do gigante e puxando-o com o peso do próprio corpo, somada à força da gravidade e a velocidade de seu movimento em queda, desequilibrando o brutamontes, que caía de costas no chão, estremecendo todo a estrutura do bar com seu peso. O soldado olhava para o alvo caído com um sorriso satisfeito, mas ouve uma voz feminina que pronuncia:

──── "Bombarda Maxima". ──── e naquele momento o soldado sente uma energia luminosa se chocar contra seu peitoral e explodir, arremessando-o para fora do bar, arrebentando as portas do mesmo e caindo sobre a lama daquela vila isolada. Mais uma vez acontecia um fenômeno que ele não conseguia explicar e isso o enfurecia ainda mais. Dragunov se levanta e avança para voltar ao bar e confrontar quem o arremessou pra fora, mas terceiro sujeito o interrompe, levantando outro pedaço de madeira e exclamando. ──── "Incarcerous". ──── e então o corpo do soldado é envolvido por cordas que surgem do nada, aprisionando-o. Ele lutava contra as cordas com todas as suas forças, cortando a pele exposta contra as cordas, até não conseguir mais se mover. ──── GRRR!!!!! ──── grunhia o soldado ainda lutando, mesmo cansado, até que outros homens ajudaram a rendê-lo e ele caiu sobre os joelhos, mantendo o tronco ereto, contido pelos oficiais que o seguravam pelos ombros, enquanto um outro homem se aproximava dele e falava. ──── Vamos entregá-lo ao Ministério da Magia, eles saberão o que fazer.

Sem opção, o soldado permanecia parado, até o instante em que avista seu alvo rindo da confusão e cumprimentando-o na multidão em deboche e se afastando, o soldado mais uma vez se contorcia, gritando com os oficiais. ──── PORRA!!!!!! Ele está fugindo!!!! Eu sou o soldado de elite Sergei Dragunov, das forças especiais russas e eu eu vim atrás de um criminoso internacional que está fugindo agora mesmo! Me deixem pegá-lo e eu explicotudo depois! GRRRRRR!!!!! ELE ESTÁ FUGINDO DE NOVO!!!! MERDA!!!!! ──── O soldado se contorcia olhando furioso para Luigi, que desaparecia na multidão, porém seus algozes não lhe deram ouvidos e o soldado permaneceu imobilizado, enquanto eles conversavam entre si, formas de tirá-lo dali em segurança e tentavam afastar os estudantes de Hogwarts que naquela noite saíram para um passeio na vila e curiosos cercavam o forasteiro, cheios de dúvidas.


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Re: ────⊰☫ Between Two Words

Mensagem por Convidado em Dom Out 26, 2014 9:52 pm


 

Inutilizáveis correntes que carrego, presas em meus pulsos de memórias, vivas em instantes, matando-me, não nego! O que já não tenho vivo em poucas glórias. Enterro minhas lembranças de tormento, no vago espaço de minha alma, entres caídas flores e pura calma... O vazio se torna meu contentamento. Revoadas de escuridão, entre tantos pensamentos, misturando-me já, em tanta solidão, que limita meu sentir de tantos sentimentos. Suspiros quebram o silencio intenso, em cada nebulosa noite fria... Queria tanto, achar-me onde merecia, mas só me encontro onde não pertenço.
 
Onde não pertenço -  Luan Kleyton


Quatorze horas antes..


 
  Os primeiros raios solares despertaram pelas frestas das janelas arredondadas do dormitório masculino, quando apenas um dos meninos estava sentado sobre a cama com um livro pequeno e grosso aberto em uma página onde havia vários símbolos antigos e estranhos, enquanto segurava sua varinha, onde da ponta uma luz clara e potente era emitida, fazendo com que conseguisse ler as páginas com letras miúdas mais tranquilamente. Assim que o dia clareou com mais firmeza, Willian fechou o livro e o colocou em baixo da cama, para vestir de imediato seu uniforme específico para a casa a qual pertencia: Slytherin. As cores que prevaleciam eram evidentes em cada parte do tecido, deixando em destaque também sua classe diante das variações de sangue que existia dentro do mundo bruxo. Era, sem dúvidas, um verdadeiro sangue puro e por isso orgulhava-se de pertencer a esta casa.  Após se vestir e arrumar os últimos retoques dentro da mochila, o moreno correu em direção ao pátio central da escola, onde se reuniria aos demais alunos do castelo para entregar a autorização, que lhe daria garantia de que poderia passear mais tarde em Hogsmeade como de costume em todo final de semana, porém havia esquecido de um pequeno e simples detalhe: o papel assinado pelo responsável legal, que no caso é sua mãe, mas esta ainda não enviou pela coruja a assinatura, portanto, o garoto estaria privado de ir para o passeio, se não tivesse falsificado a assinatura. Agora sua ida até o vilarejo estava entregue a sorte. O garoto caminhava sozinho entre os corredores vazios e o único som que ouvia era dos quadros conversando entre si, alguns ainda dormindo. Algumas luzes das velas estavam baixas, já no fim, dando ao ambiente uma sensação um pouco mais sombria do que a costumeira, mas o garoto não tinha medo. Depois de tudo o que sofreu em sua infância, não era um lugar escuro que iria o amedrontar, já que alguns anos antes fora obrigado a viver em lugares onde a luz era quase instinta, apenas a do sol e quando se arriscava ficar nas áreas abertas. O pequeno moreno agora estava já próximo ao pátio externo do castelo, onde já se podia ver uma pequena aglomeração de alunos, que aos poucos se reuniam em uma fila grande e única diante de um professor que media um pouco mais que quatro palmos de altura. 

  Era tão miúdo, que os alunos pareciam adultos em uma comparação rápida. O que ele tinha de pequeno, tinha de gordo também. As gorduras acumuladas em baixo da barriga pareciam pular para fora da camisa e da calça preta que vestia. Estava exprimido ali dentro. Ele recolhia e averiguava as assinaturas dos responsáveis dos pequenos bruxos com muita meticulosidade, pois era o mais desconfiado entre o grupo de docentes da escola de magia e bruxaria de Hogwarts. Seus olhos pequenos e afundados nas orbes observavam não apenas o pepel que lhes era entregues, mas também tudo a sua volta, principalmente a cada discente que chegava e se unia a fila, que aos poucos ia diminuindo conforme recebiam um “O.K” do gorducho como liberação ao passeio ao vilarejo de Hogsmeade como todo final de semana. Havia chegado agora a vez de Willian entregar seu papel com a falsa assinatura, vibrava dentro de si para que desse certo. Em seu semblante, havia desprezo e tédio. Odiava ter que esperar por uma autorização, ainda mais daquele professor que lecionava a sua matéria mais asquerosa: estudo dos trouxas. Só em lembrar da última aula, - que foi obrigado a ler uma parte de um livro trouxa muito conhecido, - seu rosto ganhava um tom de raiva e ao mesmo tempo enojamento. Engoliu um seco assim que ficou de frente ao anão gorducho e então abriu um sorriso forçado a ele, enquanto abaixava bem a mão para entregar o papel. 

  Willian tinha apenas onze anos de idade, mas diante do mini-professor, se sentia um adulto. Os olhos do professor ao olhar para Willian foi quase assustador, parecia ter visto um fantasma, já que a última vez que vira o aluno foi quando havia chegado dois dragões noruegueses da Romênia, onde o pequeno bruxinho conseguiu prender o docente dentro de uma das repartições onde o animal estava descansando. Isso ocorreu algumas horas depois da aula que tiveram de “Estudo dos trouxas”. Willian mordeu o lábio segurando um pequeno riso, apesar de ter ganhado uma detenção, ele só conseguia lembrar do pânico em que havia ficado o professor e isso fazia com que tivesse muito orgulho e prazer. 

—  Wi-llian.. —  Ele tossiu roucamente e então encarou o aluno profundamente nos olhos —  Willian, vejo que sua mãe finalmente mandou uma assinatura.. Vejamos.. —  O gorducho abriu o envelope, colocou o óculos miúdo e então começou a ler. Diferente dos outros, ele aproximou bem o papel dos olhos próximo ao óculos e ficou por um bom tempo verificando a assinatura. Willian já estava cansado de esperar, quando por fim ouviu a voz grossa e rouca do professor lhe proferir palavras que continham um certo tom de vingança e prazer. Ele então ergueu a cabeça de tartaruga e olhou com dificuldade nos olhos levemente acinzentados do bruxinho a  sua frente. —  Bem vindo a uma nova detenção comigo, senhor Molière! —  E uma risada debochada pôde ser ouvida, fazendo com que alguns outros alunos a volta virassem seus corpos para matar a curiosidade. 

— Professor.. —  Dizer essas palavras pareceu ter a mesma sensação do que engolir pregos para o menino, no entanto, o mesmo prosseguiu com um semblante contrariado. —  Eu entendo que o que fiz, de certa forma, foi meio ilegal dentro das regras do castelo, mas tenta me entender.. Eu.. eu não vou ao vilarejo desde o natal passado! —  A última palavra foi pronunciada com certa raiva, pois foi um grito, que fizera novamente todos a volta virarem os seus corpos para poder investigar o que estava acontecendo. 

 Lamento, garoto, terá de passar o final de semana dentro da sala comunal da Sonserina. Até a próxima aula e, lembre-se, como castigo quero dois pergaminhos de como os trouxas agem em uma guerra. —  Ele soltou outra risada debochada e fechou um pequeno caderno que estava em uma mão, enquanto a outra guardava o óculos no bolso do casaco, feito isso, o gorducho seguiu andando em direção a uma cabana do outro lado do pátio, próximo ao jardim.  Willian, no entanto, enfiou as mãos nos bolsos do uniforme e soltou uma risada baixa. 


—  Como se um anão fosse me segurar aqui! —  Então o moreninho entre um sorriso de canto, caminhou em direção ao castelo cantarolando em um tom brando o hino de sua casa: —  Sonserina, Sonserina, És a casa, que é minha….. Ter Honra, ter Poder, Ter astúcia e inimigos, ter homens que chegam aos seus objetivos..


 
 Sábado, às 17:00.


—  Um bando de incompetentes! —   Advertiu Willian, que estava deitado no sofá central degustando uma maçã verde enquanto suas orbes acinzentadas observavam o alto, onde podia-se ver a figura de um garoto da mesma idade suspenso por duas cordas enfeitiçadas, já que as duas pontas superiores estavam soltas no ar e preso no lustre provençal pela camisa. Sua boca fora amordaçada com uma gravata verde e preta, parte do uniforme da escola e em especial, dos alunos pertencentes a casa de Salazar, onde suas cores principais e destacadas por todo salão comunal e uniformes dos alunos ali residentes, eram a prateada e verde. No brasão destacado ao lado esquerdo do tecido, havia em destaque uma serpente dourada, símbolo da casa Slytherin, sobrenome do fundador, membro mais importante e crucial na existência do castelo. Ele se movia, mas não conseguia se desprender das cordas, e caso isso viesse a ocorrer, iria ter grandes problemas físicos, já que o salão comunal da sonserina era o mais sofisticado e com isso, o mais alto e planejado. Contudo, no chão adornado em mármore liso do ambiente haviam mais dois alunos que vieram correndo após ouvir o tom de desaprovação do pequeno disposto no sofá, um deles era rechonchudo, tinha sardas por todo o rosto levemente avermelhado, parecia que tinha feito um grande esforço físico, seu cabelo era ruivo, igualmente aos da menina ao seu lado, porém essa era magricela ao extremo, seus ossos estavam quase aparente na pequena parte exposta abaixo do pescoço comprido. Parecia assustada e com muito medo. Ambos olhavam com receio para Willian, que permanecia deitado contemplando a pequena agonia do menino suspenso. 


—  Vejam, essa é uma pequena prova do que acontece a traidores. Vocês dois, por sinal, fizeram quase um bom trabalho. Podiam ter sido mais rápidos! —   Reclamou em um tom brando agora, já que todo silêncio era bem vindo. Willian era dono de uma pene extremamente pálida, de um corpo pequeno e miúdo, mas havia uma grande força apesar de ter onze anos apenas. Seus cabelos eram negros e seus olhos acinzentados, traços do pai e da mãe eram perfeitamente encontrados nele. 

  Willian então se ergueu do sofá, jogando o que restou da manhã do outro lado da sala, acertando em cheio uma lixeira e, em seguida, contemplou pela última vez com um sorriso de satisfação nos lábios aquele menino no alto do salão. 

—  Você perdeu uma boa oportunidade de se juntar aos melhores! Tenho pena de você, porque não merece esse brasão no seu peito. A casa de Salazar Slytherin é para bruxos corajosos e com ambição, não para perdedores como você. —   Disse ríspidamente e então direcionou seu olhar aos dois colegas a frente, que o olharam com medo. Pareciam ter se esforçado bastante, pois as respirações estavam um pouco aceleradas. 

—  Quanto a nós, temos muito o que fazer. Eles podem ter nos banido de ir até Hogsmeade, mas isso não significa que não iremos. E esse carinha aí em cima não irá mais nos dar problemas quanto a isso. Temos apenas alguns minutos, senão o pátio vai estar cheio. Quem está com o mapa? —   Ele enfiou as mãos nos bolsos vasculhando para encontrar o mapa, mas não o encontrou. Em alguns instantes a garota gritou mostrando nas mãos um pedaço de papel amassado e sujo. —  Ótimo, Casey! Vamos logo, então. Não podemos perder tempo. Greg, tente não pensar em comida. —   Olhou para o gorducho com um ar de desaprovação e então caminhou na frente em direção a saída do salão comunal tomando cuidado para não serem vistos, já que foram proibidos de saírem dali. 

  Os três foram andando pelos corredores adornados em pedras bem antigas, repletas de quadros de variados tamanhos e figuras, que se mechiam e conversavam entre si. O garoto do meio, que comendava o grupo, olhou para eles e colocando o dedo indicador sobre os lábios levemente rosados, —  Shiu! Se vocês contarem a alguém, juro que eu arranco cada um de vocês desses quadros horríveis! —  Não era a primeira vez que o garoto os ameaçava dessa forma, uma vez conseguiu passar a ponta de um canivete em um dos quadros e desde então o homem que vivia ali foi obrigado a compartilhar outro quadro com uma mulher gorda e horrenda. No fim, eles balançaram a cabeça positivamente.

  Os bruxos seguiram pelos corredores até chegar no saguão de entrada, que estava completamente vazio. Uma hora dessas todos os alunos deveriam estar tomando uma caneca de cerveja amanteigada no três vassouras. Aproveitaram o silêncio e calmaria para poder dar o ponto de partida no pequeno plano. Subiram então as escadas tomando cuidado, pois eram bem trassoeiras, mudavam de lugar a todo instante. Deram sorte em não terem desviado do objetivo ali. Chegaram no terceiro andar e correram para um corredor largo e alto do andar, onde haviam algumas salas de aula e no fim, na parede esquerda feita de tijolos escuros e desbotados, não havia nada, mas os três andaram até essa parte do corredor e ficaram rentes a parede, olharam para a mesma um tanto intrigados. 

—  Saim do caminho, seus idiotas, deixe-me ficar no centro! — Ordenou Willian, que os empurrou para os lados, ficando então na frente e de cara com a parede. O menino cerrou os olhos e se concentrou ao máximo possível. No entanto, nada aconteceu.  —  Me dêem o mapa! —  O gorducho pegou o mapa do bolso da calça do líder e o entregou. —  Ah, vejamos.. —  Ele abriu o mapa e então observou a parte destinada ao terceiro andar do castelo. Haviam os três e um professor no andar, que se aproximava lentamente de uma área próxima àquele corredor amplo. Willian bufou e mais uma vez vasculhou as letrinhas do mapa tentando ser o mais rápido possível, porém não havia nada ali que lhe servisse. — Tem que ser aqui! É a única parte vaga do andar. Esse mapa é uma porcaria! Não serve pra nada! —  Ele então empurrou o mapa contra o peito do gorducho, que o segurou rapidamente. 

  Willian, no entanto, embravecido, olhou para a parede novamente e fechou os olhos, imaginando o lugar para onde queria realmente estar no momento. “Eu preciso muito ir a casa dos Gritos. Preciso muito. De verdade. Eu preciso ir a casa dos gritos!” Gritou internamente e assim que abriu os olhos, uma porta havia surgido na parede. Uma porta estilo medieval e enorme. Olhos para os outros bruxos do lado e ambos estavam com a boca entreaberta, perplexos e encantados. Nunca tinham visto algo assim no castelo e em nenhum outro lugar. 

 O que estão esperando? Entrem! —  Em seguida, Willian levou a mão miúda a maçaneta e a girou lentamente, abrindo com cautela, pois não sabia o que havia lá dentro. 

Ao abrir, os três adentraram o lugar e deram de cara com uma sala preta, apenas preta, sem nada, sem paredes, tudo estava absolutamente negro. Como se os três estavam flutuando em pleno espaço sideral. A única coisa que havia na sala, além deles e do piso também preto, era uma porta estreita bem no centro da sala. Os três se entreolharam por um momento e juntos disseram: —  A sala precisa existe! —  Os três correram em direção a porta central e então Willian se ajeitou na frente, respirando fundo antes de levar a mão pálida a maçaneta. 

 —  Esse é o nosso segredo! Ninguém pode saber onde a sala precisa se localiza, entendido? — Indagou com um tom severo e autoritário aos companheiros. Com os anos após a última guerra, a localização da sala precisa foi perdida, apesar de ainda existir filhos e parentes das gerações passadas que talvez possam saber onde fica, mas por um motivo desconhecido, até hoje a localização era um mito. 

  Willian, no entanto, girou a maçaneta rapidamente, porém não empurrou a porta para que abrisse, apenas girou e ficou observando. —  Assim que eu abrir, quero que todos entrem com a rapidez possível. —  Foi então que ele engoliu um seco e em seguida empurrou com força a porta, a abrindo de vez. Os três se empurraram e caíram em uma espécie de escorrega, sem ter onde segurar e não ter como voltar, os bruxinhos escorregaram por esse túnel abaixo em gritos altos que ecoavam por ele todo, sem saber onde estavam, um se apoiava nas bordas daquele escorrega preto e liso. O percurso demorou alguns minutos e assim que caíram em um chão liso e claro, se levantaram apoiando-se um no outro e em seguida, ajeitando suas roupas amassadas. 

  — Aqui não é a casa dos gritos! Muito menos Hogsmeade! Onde nós estamos? Greg, o mapa! Me dê ele. —  Olhou para o garoto, que passou a procurar o papel velho entre as vestes, mas não o encontrava de nenhuma forma. —  Seu idiota! Não me diz que você perdeu o mapa?! Não acredito.. Como posso andar com gente burra! Você tem o que dentro da cabeça? Minhocas? Elas devoraram o seu cérebro quando você nasceu! —  O garoto passou a respirar fundo, pois sabia que a qualquer momento poderia ter uma crise de ansiedade e enquanto respirava, observou em volta. Caírem em um lugar fechado entre quatro paredes de tijolos claros, mas não havia nenhuma porta e o escorrega misteriosamente desapareceu. 

  —   Ótimo, nós estamos perdidos e não temos para onde ir! —  Foi quando uma porta surgiu na frente dos três. Uma porta muito estreita e de madeira remendada. —  Nossa, hoje não me canso de me surpreender. Pelo menos isso!  

  Willian já cansado de tudo isso, bufando, seguiu em direção a porta e a empurrou com força, dando espaço a mais um corredor estreito e escuro. —  Venham, não quero mais perder meu tempo! —  Então os três, um atrás do outro e bem apertados, encolhidos ali, caminharam pelo corredor escuro, com paredes nuas e sujas de teias de aranhas. Caminharam por alguns segundos e então Willian sentiu uma coisa dura a sua frente e no chão. Eram três degraus medianos e a sua frente uma coisa sólida. Ergueu sua mão e apalpou, viu que era uma espécie de porta, de passagem e empurrou cuidadosamente após subir os degraus, com medo de que tivesse alguém do outro lado. Assim que conseguiu abrir, viu uma claridade e então deu um primeiro e cauteloso passo a frente e deparou-se com uma pia de banheiro. Olhou para trás e sussurrou aos amigos: —  Tomem cuidado, acho que estamos na casa de alguém, mas estamos dentro de um banheiro. Tem uma pia logo aqui. — E então apoiou a mão na lateral da parede e deu um pulo, saltando até o piro acimentado do lugar. Observou os outros fazerem o mesmo e fecharem aquela “porta”, que ao ser fechada, viram que era um espelho. 

 — Onde estamos? Que lugar é esse? — Indagou a menina, que tinha uma voz muito infantil e aguda. —  Melhor a gente voltar! 

—  Será que você não reparou que a passagem sumiu? Não temos como voltar! Agora cala essa sua boca, senão alguém pode nos ouvir! —  Disse em um tom desaprovador e grosseiro, enquanto caminhava, via que nas repartições do banheiro não tinha ninguém e pela quantidade, aquele lugar era algum bar. —  Podemos estar no três vassouras.. Deve estar cheio de alunos.. Se nos virem… —  Respirou fundo e então caminhou em direção a porta, sendo seguido pelos outros dois bruxinhos. 

  Assim que chegaram próximo a porta, um bruxo de aparência bem velha adentrou, bêbado e desequilibrado, cambaleava de um lado para o outro até adentrar em uma das repartições sem ao menos perceber a presença de três alunos do primeiro ano ali. O banheiro fedia e estava imundo, os três bruxos saíram as pressas dali, pois não aguentavam nem mais um segundo. Ao saírem, depararam com uma desordem total no lugar, que realmente era um bar. Mesas quebradas, cadeiras para todos os lados e bruxos se recompondo por toda parte. Certamente houve alguma briga ali. Willian ergueu a sobrancelha com um ar de desdém e então seguiu pelo canto do lugar, tentando não ser visto. Bem em cima da porta, havia um pequeno letreiro interno descrito as seguintes palavras: “Cabeça de javali”. Era um bar que alunos eram totalmente proibidos de adentrar. Se fossem pegos ali, poderiam até serem expulsos de Hogwarts ou ganhar uma detenção por longos anos. Os três então andaram com a cabeça baixa após colocar os capus sobre a cabeça, assim evitaria que alguém os reconhecesse com facilidade. Saíram do bar, e encontraram alguns aurores ali e em volta um bando de alunos de Hogwarts. Muito barulho. Muita movimentação. 

 Péssimo dia da gente ter vindo aqui… Péssimo dia. Péssimo dia. —  Repetia nervoso e aflito o gorducho atrás de Willian, que tentava pensar em algo para não serem pegos. No entanto, nada lhe vinha na mente. Absolutamente nada. Por um instante, percebeu que todos pareciam estar bem ocupados para darem atenção a três crianças. 

—  Venha, vamos dar a volta aqui.. A casa dos gritos não fica muito longe. Podemos chegar lá sem que alguém nos vejam. —  Foi então que, em silêncio, os três caminharam entre alguns alunos e deram a volta ali, porém quando estavam quase se afastando da pequena aglomeração de bruxos, foi empurrado por um homem que estava correndo, se livrando também daquela multidão pequena, fazendo com que os três caíssem de costas sobre a neve e, de consequência, deixando os capuzes caírem da cabeça revelando suas identidades. Porém nenhum bruxo adulto os notaram ali, mas para o azar, dois alunos do sétimo ano os reconheceram de primeira e os puxaram pela roupa, mas por sorte, era um aluno da sonserina e Willian o conhecia, já que abriu um sorriso de canto para ele.

—  Willian, ora, ora.. Demorou. Se perdeu no caminho? Venha, estamos atrasados. —  Ele então empurrou com ajuda de outros alunos os três bruxos: Willian, Casey e Gregoy. Willian mantinha em seu rosto um semblante de raiva, absoluta raiva, porém enquanto o aluno do sétimo ano o puxava para o outro lado da aglomeração, percebeu que os aurores seguravam um homem. Um homem muito parecido com.. “Não… Não… Nãããããão!” O que o pai dele estava fazendo ali? Ele era um trouxa.. Como conseguiu entrar?" 

— Pai? —  Indagou em um tom alto, tão alto, que todos viraram a cabeça para olhá-lo. — O que o senhor está fazendo aqui e porque os aurores estão te segurando? —  Willian estava assustado com a presença dele ali e sem entender absolutamente nada daquela situação totalmente estranha e imprevisível. 


  Willian então puxou o braço fortemente para se soltar e caminhou em direção ao pai, esquecendo que não podia ser visto por ninguém. O pequeno o olhou e viu que o homem estava suado e cansado, então lembrou do bar todo quebrado, certamente ele teria se envolvido em algo lá dentro. No entanto, o menino cruzou os braços e o encarou profundamente nos olhos. 

Ainda estou esperando uma resposta! —  Disse em um tom bravo, como sempre fazia. A sua volta vários alunos o reconheceram e o olharam entreabertos, imaginando como se livrara do castelo com tamanha facilidade. 

  Não demorou muito tempo desde que se mantinha defronte ao pai, até que alguns professores que haviam acabado de sair do bar três vassouras, pudessem reconhecer o aluno rebelde ali, em meio a pequena aglomeração de bruxos. Um deles, o mais alto e ruivo, aproximou-se com um ar totalmente de desaprovação e pronto para brigar, porém um outro outro membro do grupo de docentes do castelo chegou em primeiro lugar, já que todos, exceto o diretor da Sonserina, tinham muitas coisas contra o aluno, que vira e meche, sempre arruma uma confusão na escola, os deixando de cabelos em pé. Ele era alto e grande, seus braços parecia um tronco de árvore de tão grosso. Chegava a ser assustador para qualquer um, menos para Willian, que simplesmente não se moveu, apenas virou um pouco a cabeça já erguendo uma das sobrancelhas e o olhando em um tom de desdém enquanto suspirava. 

  Não pronunciou nenhuma palavra para o adulto-ogro que estava já a seu lado, porém sentiu as mãos grossas e pesadas dele o segurando pelo braço com força, parecia que iria esmagá-lo. O aluno, no entanto, continuou parado e agora retornou seu olhar para o pai a sua frente, que estava preso entre as mãos de alguns aurores, que não se preocuparam com outra coisa, apenas naquela situação.

   Willian era dono de uma personalidade muito forte e peculiar. Ninguém consegue prever suas ações. Ninguém consegue adivinhar o que está pensando ou planejando, por isso sempre mantinham com ele uma atitude mais agressiva, para que não desse tempo do menino esperto inventar algo e conseguir escapar. O menino só pensava em alguma solução, mas em nenhum momento deixou de manter seus olhos bem atentos a cada movimento dos professores e do pai a sua frente. Seu rosto não tinha mais nenhuma expressão, como era naturalmente. Estava apenas com muita raiva em seu interior e uma dúvida muito grande a respeito do seu pai trouxa estar no mundo bruxo bem próximo ao castelo.. No vilarejo mais improvável de um trouxa estar. Suspirou pesadamente e ficou esperando que alguma coisa acontecesse a seu favor, pois por um minuto ele deixou-se levar pelo sentimento de saudade que tinha da mãe e agora ao ver o pai, imaginou que algo pudesse ter acontecido a ela. Depois de dez anos sem a presença materna, Willian já estava acostumado a ficar sozinho, já que não tinha amigos, usava os outros alunos apenas como marionetes para seus objetivos, mas depois que conheceu a mãe, um sentimento muito estranho começou a viver dentro de seu coração já tão desgastado mesmo com a pouca idade, viu e vivenciou coisas que nenhuma outra criança viveu, e isso o irritava sempre. Era por isso que queria aprender todos os tipos de magia e engrandecer seus poderes, para encontrar quem tirou seu direito de ser uma pessoa normal e se vingar. Esse sentimento de amor, de carência da mãe muitas das vezes faziam com que o menino perdesse por alguns instantes o foco em seus planos, como aconteceu agora. Ele estava preso por um professor, que certamente o levaria direto a sala do diretor de Hogwarts para ganhar uma detenção eterna durante todos os anos que ainda lhe resta na escola.

  Por um pequeno instante, o menino acreditou que era o fim. Iria ficar preso na escola para sempre, sem ver a mãe, sem ninguém até o sétimo ano. Achou que essa seria a detenção que iria ganhar por tudo que fez apenas em um ano no castelo, porém enquanto fechou os olhos brevemente para pensar em algo, lembrou-se de um objeto que um homem no trem havia lhe dado. Discretamente enfiou a mão livre no bolso da calça e retirou uma pequena pedra cheia de pontas e toda preta, e abriu um sorriso de canto. Retornou seu olhar ao pai e então jogou a pedra com força no chão a sua frente, entre os seus pés e o do pai, e assim que o objeto tocou o chão repleto de neve, uma fumaça preta escura surgiu e começou a se espalhar por entre todos presentes ali, fazendo com que ninguém conseguisse enxergar alguma coisa. Willian sentiu o braço se afrouxar e aproveitou a situação para se livrar do professor, que mais parecia um ogro. Correu em direção ao pai, vendo que os aurores também estavam tentando entender o que estava acontecendo e quem jogou aquela fumaça. Willian revirou os olhos percebendo que tinham bruxos de altos níveis ali e ninguém até o momento usou nenhum feitiço para refazer a fumaça. No entanto, o menino puxara o pai com força, aproveitando que os aurores estavam distraídos,  e então sussurrou para o pai: — Venha comigo. Tem uma casa abandonada perto daqui. — E então o menino correu enquanto a fumaça ainda estava ali, mas aos poucos ia se dissipando, porém ainda havia tempo dos dois chegarem à casa dos gritos sem serem vistos. Torcia para que ambos conseguissem chegar lá e assim poder tirar suas dúvidas. Não sabia ao certo se o pai realmente conseguiu se soltar dos aurores, mas acreditava que sim. Tinha muita neve, qualquer deslize e seria pego. 
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